quarta-feira, 12 de junho de 2013
Make Me Pure - Capítulo 14
POV Julieta on
– A história é um pouco longa, mas eu vou tentar resumir. Eu saí de casa há mais ou menos 5 anos, como vocês já sabem! Bom, eu saí 6 meses depois de o meu pai desaparecer e nos abandonar. – eu contava enquanto os encarava. Isso parecia que era estranho para eles. – Ele saiu e eu comecei a assumir o papel de “ Chefe de famíla!”, eu consegui arranjar trabalho naquele hotel e entrar na faculdade! A minha mãe ficou mal, afinal era apaixonada por ele! Eu consegui convencer a minha mãe a fazer consultas de terapia.
Esses 6 meses entre eu sair de casa e ir trabalhar para o hotel, acho que foram os mais difíceis de todos. Eu assisti a duas tentativas de suicídio da minha mãe, consegui sempre chegar a tempo de impedir. Quando eu soube que tinha sido aceite pela faculdade e no hotel também, pedi a uma tia para tomar conta da minha mãe e do meu irmão pelo menos até ela melhorar um pouco. Eu não iria deixa – los sozinhos, claro que não! Eu sempre fico sabendo notícias e ajudando.
Eu nunca falo dele porque eu o acho um cobarde, um nojo de homem, um rato! Ele nos deixou e para mim ele nem merece que eu gaste os meus pensamentos com ele. Que espécie de homem deixa a sua mulher e dois filhos ainda pequenos!? Odeio homem que não sabe honrar as calças que veste, que não tem carácter nem espírito de sacrífio para assumir as suas responsabilidades.
Bom, acabou por não existir outra oportunidade e tive que sair de casa para poder arranjar um emprego que pudesse ajudar a minha mãe com as despesas de casa, mas também não poderia perder a opurtunidade de estudar. – eu disse séria.
Eles ficaram me encarando envergonhados.
– E como foram essas tentativas de suícidio!? – o Bill perguntou.
– Da primeira vez, a minha mãe tentou se esfaquear e eu passei a deixar todos os objetos cortantes guardados, numa gaveta trancada à chave em que só eu tinha acesso. Da segunda vez, ela tentou se enforcar, mas ainda cheguei a tempo de impedir. – eu disse e eles ficaram tensos.
– O seu imão sabe dessas tentativas!? – disse o Gust.
– Não, eu não quero que ele saiba. Se eu puder protege – lo disso, eu vou protege – lo. Ele só iria sofrer, por uma coisa que já passou. – eu disse.
– Mas e você!? – o Ge me perguntou.
– Eu!? Como assim!? – eu disse confusa o encarando.
– É, você! Você, quem te protegeu!? Quem cuidou de você!? Quem se lembrou de você quando toda essa história começou!? Afinal, pelo que percebemos, você cuidou de todo o mundo, se preocupou com todos! – disse o Ge.
– Sinceramente, não tenho resposta para essas perguntas. Eu cuidei de mim e de todos, alguém tinha que tomar uma decisão, seguir em frente, tomar a frente da situação. Eu não iria ficar me lamentando o resto da minha vida por uma pessoa, que quis sair da vida da minha mãe e da do meu irmão sem ao menos dar uma explicação. Não merece respeito! Não merece! Não esperava pena, nem cuidados de ninguém! Eu tinha uma ideia do que me esperava, afinal ir viver sozinha para uma cidade grande sem ninguém, é difícil! Mas pena, não! Isso não admito a ninguém, pena, nunca! Eu tinha onde comer, onde dormir e onde trabalhar e estudar, era tudo o que eu precisava. Não havia razões para ficar me
lamentando. Ah, verdade o mais importante, os amigos que eu fiz. Não tenho o que lamentar ou me arrepender. Foi a melhor decisão que eu tomei. – eu disse sorrindo.
– Estou arrepiado! – disse o Bill passando as mãos nos braços.
– Tá bom!? Acabei com todo o mistério e matei toda a curiosidade!? – eu perguntei rindo.
– Não, eu tenho mais uma pergunta! – disse o Bill. – Uma pergunta desafiante.
– Ah, é!? Eu adoro desafios! Que pergunta!? Amantes, perguntas sexuais e tudo sobre a minha vida romântica, aumenta o preço da entrevista. – eu disse rindo e eles riram se libertanto da tensão que tinha ficado à 5 minutos atrás.
– Ah, pow! Eu queria perguntar sobre isso. – ele disse rindo.
– Pode perguntar, não tenho nada para esconder mesmo. – eu disse rindo.
– Namorados, você foi muito namoradeira!? – ele disse e eu ri.
– Claro que fui! - eu disse e o eles me encararam surpresos. - Brincadeirinha, peguei vocês! Não, eu tive uns 2 namorados. – eu disse sorrindo.
– Boa noite! Eu sou o chefe... – alguém disse quando os meus olhos se cruzaram, eu não queria acreditar no eu que estava vendo.
– Filha!? Julieta!? – ele disse.
Meu pai! Meu pai, aqui!? Depois desse tempo todo!?
– Você!? Então foi aqui que você se encondeu esse tempo todo!? Foi por isto que você nos trocou!? – eu perguntei o encarando e me levantei.
Quando me levantei, apareceu uma mulher se pendurou no pescoço do meu pai.
– Amor, eu e as crianças viemos te fazer uma visitinha! Você gostou!? Nós tivemos que deixar o Fredy na cozinha! Aquele cachorro, adoro ele! Amor, obrigada! – ela disse toda dengosa.
Ela me olhou dos pés à cabeça, me analisando.
– Amor, quem é ela!? – a mulher disse.
Ele baixou os olhos sem conseguir me encarar.
– Cobarde, rato! É, quem sou eu!? Não vai falar para ela. Se não falar, eu vou falar! – eu disse séria o encarando.
– Ai, que garota mais mal educada! – ela disse.
– Teresa, fica no seu lugar! Não fala assim com, a Julieta! É, a minha filha! – ele disse envergonhado.
– Sua filha, com aquela mulher que te pediu a separação!? – a Teresa disse surpresa.
– Olha bem, como você fala da minha mãe! – eu disse nervosa.
– Filha, eu preciso falar com voce! Você não sabe como eu tinha saudades suas e do seu irmão! Eu queria... – ele disse querendo me abraçar.
– Não! Eu nunca tive saudades suas! Eu não quero, nem vou falar com você! A minha mãe te pediu a separação, ela sabe dessa palhaçada toda!? Sabe que você tem outros filhos e outra mulher!? – eu perguntei respirando fundo.
– Ela soube à pouco tempo e como se vai casar, ela pediu a separação! Ela ia te contar, não briga com eles. – ele disse sério.
– Ainda bem, que ela pediu separação! Não nos abandonou por isso, então desaparece de novo! Some da minha vida, tava muito bom do jeito que tava. – eu disse nervosa.
– Filhota, calma! Eu sei que...eu fiz tudo errado, mas me dá uma chance. – ele disse sério.
– Não há chance para ninguém! Eu não vou te dar nada, você nos deixou, a minha mãe e o meu irmão sofreram de mais e você quer uma chance!? Você pensou em nós, antes de sair de casa!? Não, pois não!? – eu disse sentindo o meu sangue ferver.
– Filha, eu me arrependi! Eu... – ele disse segurando o meu braço.
– Pai, quem é essa moça!? – disse uma menina com uns 4 anos, muito parecida comigo.
– Filha, essa é a Julieta! Ela é....a sua irmã. Aquela, que eu falei para você, que é muito igual a você.
– Ah, eu lembro. Oi! - ela disse timída.
A menina tinha os cabelos cabelos castanhos claros e os olhos verdes, enormes como os meus.
–Oi! Como você se chama, princesa!? – eu perguntei mais calma.
– Eu me chamo, Joana! Você é muito bonita! Quem são os seus amigos!? – ela disse assustada com tanta gente.
– Eu trabalho com eles e são meus amigos também, Joana! Você tem um nome muito bonito. – eu sorri para ela e ela retribuiu.
– Eu vou embora daqui. – eu disse pegando a minha bolsa.
– Espera, Julieta! Seu pai se arrependeu muito quando se afastou de vocês, deixa essa raiva de lado, dá pelo menos uma oportunidade. Só para conversarem! – a Teresa me encarou séria.
– Me desculpa, sei que está sendo delicada, mas eu não consigo fazer isso. – eu disse respirando fundo.
– Filha, só essa vez! Uma última conversa, se você não quiser eu depois nunca mais falo com você. – ele disse e agora o seu rosto estava coberto por lágrimas.
Eu tinha tanta raiva dele, tanta raiva que nem chorar eu conseguia, minha mente gritava muito mais alto para ser dura, implacável, fria, para nada me fazer ceder.
– Uma última conversa, mas só isso, mais nada! – eu disse séria e ele sorriu.
– Eu não demoro, garotos! Desculpem, por isso! – eu disse sorrindo envergonhada.
– Não, claro que não! Não tem que se desculpar nós entendemos. – disse o Gus dando um sorrisinho.
– Nós vamos esperar o tempo que for preciso, não se preocupa. – disse o Tom.
– Não, não é preciso. Eu volto para onibus assim que acabar a conversa. Aproveitem, vão se divertir! É uma ordem, não um pedido. – eu disse e eles riram.
– Tá bom, então. Mas assim que acabar a conversa você nos liga. – disse o Bill arqueando a sombrançelha.
– Ligo, fiquem tranquilos. – eu disse.
Eles se despediram de mim e sairam pela porta do restaurante. O meu pai me guiou até à porta da cozinha e os empregados ficaram nos olhando. Ele pediu para que se retirassem e depois ele me fez sentar num banco alto e ele se sentou de frente para mim.
POV Julieta off
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