quarta-feira, 1 de maio de 2013

Strange - Capítulo 8


POV Letícia on



Eu entrei dentro do banheiro, não podia ficar assim com a roupa toda manchada. Aquilo não era nada, era só suco. Eu acho que eu estava tentava me convencer que era apenas suco e que aquela situação não me machucava. Parece que eu faço tudo errado, para merecer isso! Será que eu sou assim tão feia, tão nojenta para eles!? Será que aquilo que eles me dizem é a realidade e sou só eu que não quero enxergar!? O que será que há de errado comigo!? Porque eu sou diferente dos outras garotas e não sou igual a elas!? Meu deus, como eu desejava ser igual a qualquer garota dessa faculdade e não ter que ser essa aberração como eles dizem.



– Letícia! Você está aqui! Estávamos preocupados. – a Diana disse e eu me assustei.



Eu saí do meu transe e sorri levemente para ela.



– Tôo tirando esse suco da minha blusa. – eu disse sem a olhar nos olhos.



– Letícia, desculpa. Eu não imaginava que eles iam voltar com isso. Eu juro que não sabia de nada mesmo. – ela disse triste.



– Não, Diana, não precisa pedir desculpas. Afinal, isso é só roupa manchada de suco, ontem foi só uma foto, não tem mais importância. Eu não estou chateada, juro que não. É só suco, mesmo! Não tem importância. Está tudo bem. Você e o Mateus, podem voltar para a cantina. Voltem, por favor! Não fiquem aqui, eu preciso que vocês voltem. – eu disse e ela negou.



– Não vou voltar, vou ficar aqui com você. Eu quero ter certeza do que você está me dizendo é verdade mesmo. – ela disse séria.



– É verdade, pode confiar e não precisa ficar. O Georg deve estar morrendo de saudades de você e estranhando porque está demorando tanto. Vai Diana, faz o que eu estou te pedindo, por favor. Diana, não briga com ele, por favor. Não briga, vocês se amam demais e eu não quero que isso prejudique o seu relacionamento com ele. – eu disse e ele me olhou preocupada.



– Letícia...me deixa ficar. – ela disse. – Meu deus, como você me pode pedir uma coisa dessas!? Eu sou sua amiga e o Ge não pode continuar com eles nessas brincadeiras! Eu não gosto disso. – ela disse, me olhando.



– Não há necessidade disso, você sabe. Você sofre porque está brigada com ele, os seus olhos ficam tristes. Não briga, faz isso por mim. Por favor! Eu também sou sua amiga, você merece o melhor. – eu disse sorrindo.



– Letícia, mas eu não aguento ver você sendo humilhada por eles e saber que ele está te machucando. Não gosto disso, eu sei que você está sofrendo. Letícia, eu sou sua amiga e gosto muito de você. – ela disse e eu sorri.



Eu a abracei apertado.



– Eu também gosto muito de você, sabia!? – eu disse e ela me abraçou ainda mais forte.



Assim que ela me soltou, ela saiu como eu tinha pedido. Eu estava cansada de ve – los preocupados por minha culpa. Eu me virei e me olhei no espelho e parecia que eu estava olhando o vazio e não conseguia me enxergar naquela imagem. As roupas colavam no meu corpo. A roupa não tinha importância, só continuava sem entender o porquê daquelas brincadeiras. O problema deve ser mesmo meu! Eu peguei na minha bolsa e sai dali, até que me assustei.



– Mateus! Credo, me assustou, menino. – eu disse colocando a mão no peito.



Ele estava sério, me olhando com o semblante carregado.



– Letícia, você acha mesmo que eu iria embora!? Nem que você me pedisse de joelhos, eu te deixaria sozinha depois do que aconteceu! – ele disse e eu suspirei.



– Mateus, você deveria ter ido com a Diana. Eu estou bem. – eu sorri levemente.



– Não! Não está e eu sei. Hoje vai ser um dia especial, você vai para minha casa. Eu quero que você conheça todo o mundo que vive na república onde estou. – ela disse sério. Eu ia abrir a boca mas ele colocou o dedo indicador sobre os meus lábios. – Não aceito um não como resposta. Hoje vamos nos divertir e muito, nós os dois. Todo o mundo lá em casa, está super animado para te conhecer. – ele disse sorrindo.



– Tenho opção!? – eu perguntei rindo.



Ele me fazia rir com uma facilidade incrível. Ele está sempre comigo, nas horas ruins e nas boas também.



– Não, sem mais opções, princesinha. – ele disse com carinho na voz.



– Tá bom, eu só preciso de ir buscar umas coisas à república! Você se importa!? – eu perguntei.



– Tá bom, mas eu vou com você. Vai que eles aprontam mais alguma coisa, eu quero estar por perto para... – ele disse, mas agora fui eu que o calei.



Eu coloquei a minha mão tapando a sua boca.



– Não é necessário. Eu espero por você aqui na faculdade. Nos encontramos aqui. Eles não vão fazer nada. Mateus, você não vai conseguir me proteger o tempo todo. – eu disse e ele afastou a minha mão delicadamente.



– Eu sei, mas parece que as minhas tentativas não servem para nada. – ele disse. – Eu sinto que você está ficando cada vez mais triste, mais mexida com aquilo que eles fazem. Isso me deixa preocupado. Você se fecha, nunca quer falar sobre isso e isso me deixa cada vez mais agoniado com essa situação. Letícia, eu fico com muito medo, porque isso não está sendo nada fácil e tenho medo que você não aguente. Tenho medo que você faça alguma besteira. Você está sempre tentando esconder o que sente de mim e da Diana, isso tá nos deixando muito preocupados com você. Isso não é bom, você sabe que pode falar sobre o que quiser com a gente. – ele disse sério.



– Mateus, eu não falo nada, porque não tenho o que falar. Eu não posso fazer nada para parar com isso. Eu nem sei o que seria de mim, sem a sua amizade. Agora, não se preocupa, eu te encontro aqui. - eu disse.



Ele forçou sorriso e nos despedimos. Ele não ia desistir do assunto, eu sei disso. Eu sou um pouco fechada com outros. Eu suspirei pesadamente, tentando me convencer que um dia eu poderia ser transparente e talvez eles me esquecessem e deixassem de fazer aquelas brincadeiras comigo. Talvez um dia, quem sabe! Essas brincadeiras eram horríveis, mas eu sabia que aqueles quatro bem no fundo deveriam ter também os seus problemas, os seus medos. Quando eu olho nos olhos de cada um, eu tenho a sensação de estar olhando para quatro pessoas sós e magoadas com algo muito sério. Eu ficava preocupada com os quatro apesar de tudo, eles parecem sofrer por algo tão intenso que parecem gritar de dor pelo olhar.



No caso do Georg, eu acho que ele é o que se controla mais, porque a Diana é o seu equilíbrio. Eu acho que naquela relação, o amor venceu. Ele a adora e se preocupa muito com a opinião dela. Ele se esforça para agrada – la, isso é fofo. Eu acho que só o amor pode mudar algo assim. Parece que todos se sentem rejeitados e querem atenção de algum jeito. Acaba por parecer que querem se destacar por alguma razão. Eu já nem sei, esse assunto parece que me absorve.



Eu caminhava pelos corredores da faculdade embrulhada nos meus pensamentos, até que senti ser puxada pelo braço. Aquilo me assustou e fez o coração acelerar como um louco. Quando eu olhei, era o Bill. Ah, meu deus! O que vai acontecer agora!? Qual é a brincadeira dessa vez!? A imaginação não acabou, não!?



– Bill!? – eu disse surpresa e assustada.



– Eu preciso falar com você. – ele disse sério.



– Sobre o quê!? – eu disse calma, desviando o rosto.



– Sobre o Mateus. Ele te chamou para ir com ele para algum lugar!? – ele perguntou e eu não respondi. - Chamou!? – ele insistiu e eu não disse nada.



O estranho, era como ele sabia disso!? Mas o que ele queria com isso!? Meu deus, ele não cansa disso!?



– Me responde! Me responde! – ele disse ansioso e começou a apertar os meus braços nas suas mãos.



– Bill, calma, ok! Olha, eu não sei qual a sua intenção com essas perguntas, mas me desculpe você não tem nada com isso. Isso é a minha privacidade. Eu respeito a sua, então respeite a minha, por favor! – eu disse e ele me soltou surpreso.



– Você não vai me responder!? – ele perguntou curioso.



– Não, eu não vou! Eu acho que tenho esse direito, né!? Eu também não pergunto sobre as garotas que você leva para a república e o que você fica fazendo. – eu disse baixo, sem o olhar.



Eu nem queria acreditar que tinha dito aquilo, senti as minhas bochechas queimarem de vergonha.



– Eu sei, mas era muito importante para mim, que você me disse – se. Eu sei que não foi legal o que eu fiz, mas por favor me responde. – ele disse sério, puxando o meu rosto para que eu o olhasse.



– Eu não vou responder, Bill. Eu acho que você deveria se concentrar mais em você e na sua vida. Dessa vez, eu te peço, me respeite, respeite a minha privacidade. – eu disse e saí caminhando.



Ele me puxou de novo para perto do seu corpo, com força. Os nossos corpos chocaram um contra o outro e ele me prendeu contra o seu corpo.



– Eu...me desculpa. Eu sei que foi horrível. – ele disse mas parecia arrependido, o olhar dele era intenso.



– Bill, eu não quero te machucar ou te deixar chateado com o que eu vou dizer. Mas você não sabe! Não sabe mesmo o quanto foi horrível. Eu não faço idéia quem você é debaixo dessa máscara de menino rebelde ou talvez um rebelde sem causa. Mas as suas ações com os outros só mostram que não se sensibiliza com o sofrimento dos outros, você parece viver num mundo completamente diferente do meu. No meu, não há carros caros, roupas caras, casas grandes cheias de empregados para me servir. No meu, não há uma falsa felicidade. No meu mundo, as coisas são difíceis, as pessoas passam fome e se sacrificam para que no fim do dia possa haver um pedaço de pão e uma sopa. No meu mundo, existe sofrimento, as coisas vão mais além do que uma uma cara bonita e uma roupa cara, vão para a felicidade real por pequenas coisas, por coisas que para você não são nada e para mim são muito importantes. Cada coisa por mais pequena que seja, é uma pequena vitória. Toda a vitória é motivo de orgulho e de alegria. Imagino que deva ser difícil para você me entender, pois a minha origem é diferente da sua. Mas eu me orgulho muito. Não sei o que aconteceu com você e com os seus amigos para ficarem desse jeito e tirarem prazer do sofrimento dos outros, dos outros que são diferentes de vocês. Não sei o que vos machucou tanto, para serem desse jeito. Mas eu lamento muito por isso!



Mas como músicos deveriam ser capazes de entender melhor as diferenças. Deveriam ser capazes de ser melhores pessoas para entender os outros. Deveriam tentar entender o mundo de formas diferentes. O que vocês vão dizer às fãs que forem diferentes do que vocês estão acostumados!? Vão tratá – las de um jeito diferente!? Não vão falar com elas!? Eu acho que vocês deveriam pensar nisso. – eu disse e me soltei dele. – Me desculpe, se essas palavras te machucaram de algum jeito, mas eu queria que você conseguisse entender aquilo que vocês estão me fazendo passar e aquilo que vocês podem provocar se tiverem as mesmas atitudes com outras pessoas. – eu disse e as suas mãos soltaram os meus braços.



– Letícia, eu não sabia que nós estávamos te fazendo te sentir assim. Eu não imaginava que... – ele disse, mas a frase acabou morrendo na sua boca.



– Se não me suporta como diz e acha que nem amigos poderemos vir a ser, tudo bem. Eu tentei oferecer a minha amizade a vocês, mas pelo que parece vocês a recusaram. Não tem problema! Não precisa me humilhar por isso, nem fazer isso com ninguém, só porque não é bonito ou só porque não teve as mesmas chances que vocês. Não precisa falar comigo, nem me olhar se quiser, não vou ficar chateada por isso. Eu entendo! Mas por favor, pare com essas brincadeiras. Eu acho que a solução é você me ignorar. Finja que eu sou transparente, que eu não existo. Eu não me importo. Só peço mais uma coisa, não continuem com isso, não façam isso com mais ninguém. Não façam ninguém passar por isso. – eu disse e ele me olhou surpreso.



– Letícia, eu sei que... – ele ia dizer, mas eu o cortei.



– Não precisa se justificar com nada. Eu sei o que você, o seu irmão e os seus amigos pensam de mim. Eu nunca pedi que gostassem de mim, nem que fossem meus amigos. Eu acho que não é pedir muito. Me ignore! Acho que vai ser bem melhor para todos nós. A Diana não merece estar sempre brigando com vocês e também estar sofrendo com essa situação. Ela é minha amiga e não quero ve – la triste ou decepcionada com o Georg por essas brincadeiras. – eu disse.



– Eu nem sei o que dizer. – ele disse com uma expressão indecifrável.



Eu saí dali parecendo calma, mas querendo correr o mais rápido possível. Parecia que eu estava vazia por dentro, eu estava com um certo medo do que poderia acontecer depois dessa conversa. Eu odiava aquela sensação de estar assustada, mas ao mesmo tempo sentia o meu corpo tremendo, parecia uma corrente elétrica passando pelo meu corpo. Nesse momento, eu só queria desaparecer.



Eu entrei na república e todos estavam sentados em frente da Tv, eles me olharam com curiosidade. Mas, o Tom me olhou de um jeito estranho e depois se levantou.



– Você viu o Bill, Letícia!? – ele disse com ma expressão preocupada.



– Ele está na faculdade. – eu disse.



– Vocês conversaram!? – ele perguntou me olhando.



– Um pouco, mas não foi nada de especial. – eu disse.



– Ok. – ele disse e depois voltou a se sentar.



Meu deus, que alívio! Pensei fosse fazer alguma coisa. Eu subi as escadas o mais rápido que consegui. Eu coloquei tudo o que ia precisar numa mochila pequena. Eu juro que começava a ter medo de estar naquela república, mas também não tinha mais para onde ir. Eu deixei a mochila em cima da cama e fui tomar um banho quente, para tirar todo o suco de melancia da minha pele.



POV Letícia off



POV Bill on



Ela saiu da faculdade e eu não conseguia acreditar que ela pensava aquilo de mim e de todos. As palavras dela eram tão sinceras e me tocaram mesmo. Acho que nunca ninguém tinha me olhando com tanta profundidade. Ela parecia querer entender os outros e não julgar. Ela poderia ter brigado, gritado comigo, mas não, ela não fez nada! Como isso é possível!? Essa garota é tão estranha! Ela falou de um jeito tão pessoal que parecia que me conhecia a vida toda. Parecia que ela estava vendo tudo pelos meus olhos.



O que mais me assustou foi a sua forma doce e até calma que ela falou comigo, misturada com uma timidez que chegava a ser fofa. Ela me disse coisas que eu nunca tinha escutado de ninguém. Era até assustador! Mas havia também alguma mágoa nas suas palavras, ela estava machucada e disso não havia dúvida. Onde eu estava com cabeça quando pensei que ela me disse – se algo sobre o Mateus!? Eu fui criando uma parede entre nós os dois, uma parede que era cada vez maior. Eu estava achando que era cada vez mais difícil de quebrar isso. Ela não confiava em mim e o pior é que ela estava certa, em não querer confiar. Mas isso não pode ficar assim! Ela nem consegue me olhar nos olhos!



Eu saí da faculdade e fui para a república, eu queria saber se ela ia mesmo ficar aquela noite em casa ou não. Eu entrei em casa e todos me olharam. Eu nem dei importância eu só queria saber se ela ia ficar aquela noite com o Mateus! Eu subi, estava ansioso, aquela dúvida estava me corroendo por dentro.



A nossa conversa não saía da minha cabeça, as imagens dela junto do Mateus apareciam como flashes na minha mente, aquilo estava me enlouquecendo. A nossa conversa também parecia tomar conta dos meus pensamentos, inundá – los de uma forma profunda.



Eu bati na porta do quarto dela, mas ninguém me respondeu. Eu sabia que não devia fazer aquilo, mas eu não resisti, eu entrei, quando eu olhei o quarto dela, tudo tinha o toque dela. Fui entrando sem fazer barulho, mas algo me chamou atenção, eu vi um pequeno caderno que estava em cima da mesa dela, parecia um diário ou algo do tipo. Eu estava tão concentrado que até me assustei com a voz dela.



– Bill!? Meu deus, o que você está fazendo aqui!? – ela disse envergonhada e eu a olhei surpreso.



Eu nem queria acreditar no que estava vendo. Os meus olhos pareciam presos na imagem dela, do corpo dela. Ela estava sem óculos, só com a toalha de banho e com o corpo ainda meio molhado. Ela era muito bonita, os seus olhos azuis pareciam um mar imenso, parecia que eu via o céu derretido dentro do seu olhar. Nunca tinha visto os olhos dela assim tão de perto, pareciam tão intensos, pareciam um azul tão forte. O seu olhar era tão expressivo e bonito.



– Bill, saí! – ela disse baixo, vermelha de vergonha, segurando a toalha forte contra o corpo.



Eu adoro esse jeitinho tímido que ela fica na minha frente e o jeito dela de quem está morrendo de vergonha, é tão único. Como aquelas roupas podiam esconder aquilo tudo!? O rosto dela era deslumbrante, sem aqueles óculos pesados.



– Bill! Saí, eu quero me vestir! – ela me chamou nervosa.



Eu não conseguia deixar de olhar, era como se ela me hipnotizasse, me chamasse para cada vez mais perto. Meu deus, eu estava suando e sentindo alguém se animar e muito na minha calça. Caraca! Agora tenho mesmo que sair, antes que ela me mate!



– Bill! Por favor, eu preciso me vestir. – ela disse.



Eu saí, quase tinha me esquecido de como era respirar. Eu sorri involuntariamente, ela era tão bonita, o rosto, os olhos, meu deus. Aquelas roupas e aqueles óculos escondiam tanta coisa.



– Hey, está sorrindo porque!? O que você fez!?– disse o Tom rindo.



– Nada, não fiz nada. Preciso da sua ajuda. A Letícia não pode sair de casa hoje! – eu disse e ele riu.



– Porque!? Alguma brincadeira nova!? – ele perguntou animado.



– Sim, é uma brincadeira nova. – eu disse. – Preciso pensar em alguma coisa. – eu disse.



Ela não podia sair assim e eu bem vi que ela tinha uma mochila preparada. Eu ia não ia deixar ela nas mãos daquele cara, não ia mesmo.



– Temos que ser rápidos. – eu disse e ele assentiu.



POV Bill off

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