domingo, 21 de julho de 2013

Strange - Capítulo 15



No dia seguinte...



POV Letícia on



– Não, não os chame, por favor. Eu quero ir sozinha para casa. Eles devem estar ocupados, eu não quero que eles continuem se preocupando tanto comigo. – eu disse à enfermeira que me ajudava a vestir com cuidado.



– Tá bom, Letícia. Mas, não esquece de se cuidar. Você sabe que se alguma coisa acontecer, eu vou ter ligar para eles. Só vou deixar você ir assim, porque não quero você mais nervosa do que está. – ela disse e eu assenti devagar.



– Muito obrigada, muito obrigada por tudo. – eu disse e ela sorriu.



Roupa da Letícia: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=42210644



Eu peguei na bolsa que a Diana tinha me deixado com algumas peças de roupa e mais algumas coisas.



– Mas eu vou chamar um táxi, para te pegar. Você não pode ir andando até à república. – ela disse e eu caminhei até à sala de espera.



Eu me sentei e fechei um pouco os olhos. E agora!? Eu pensei que se desaparecesse, tudo seria mais fácil, nunca mais teria que sofrer, nunca mais teria que mentir aos meus amigos em como essa situação tá me deixando louca. Eu não estou conseguindo suportar aquele garoto o tempo inteiro fazendo da minha vida um inferno. Eu não tenho escolha, porque!? Porque!? Como isso é possível!? Porque tenho que continuar aguentando isso!?



Alguns minutos depois, eu já estava dentro do táxi. Só espero que não esteja ninguém na república. Assim que cheguei na república, entrei dentro de casa tentando não fazer barulho, mas nem nisso eu tive sorte. O Bill estava sentado no sofá, escrevendo alguma coisa numas folhas, pareciam letras de música. Meu deus, isso é muito azar! Porque comigo!? Eu queria me esconder, mas os olhos dele logo se encontraram com os meus. Ele abriu sorriso para mim e eu o ignorei completamente. Não, não, não! Fica sentado, fica. Só espero que ele nem fale nada!



– Letícia! Você chegou!? Pensei que ligariam aqui para a república avisando! Deixaram você vir sozinha ou o...você sabe....foi o....Mateus que foi te buscar!? – ele perguntou e o ignorei.



Mas que droga! Não fala comigo, não! Eu tôo tão cansada de você e desses pedidos de desculpas que não servem para nada.



– Eu estou falando com você! Porque você não fala comigo!? Não quer me responder!? – ele continuou insistindo e eu comecei a subir as escadas para ir para o meu quarto.



Eu abri a porta do meu quarto e quando ia fechar a porta, ele me impediu. Ele colocou um pé entre a porta e a parede. Eu ainda forcei um pouco a porta, não queria machucá – lo, mas ele era muito mais forte do que eu e facilmente ele empurrou a porta. Eu me virei de costas para ele. Qual era o problema dele!? Porque essa insistência toda!? Meu deus! Saí daqui! Saí!



– Eu não vou deixar você se fechar aqui dentro! Não vou! Se o seu namorado não cuida de você direito, eu vou cuidar! Era a obrigação dele, ter ido te buscar no hospital. Mas nem para isso ele serve. Você acabou de sair do hospital, está recuperando. Vai continuar me ignorando!? Tudo bem! Você pode gritar, me ignorar, mas eu vou estar sempre perto de você. Sempre, mesmo que você não queira. – ele disse e eu suspirei.



Ele não iria embora de jeito nenhum, parecia estar sempre em todos os lugares.



– Bill, me deixa em paz! Me deixa, em paz! Meu deus, porque você insiste tanto em ficar perto!? Não se cansou de me humilhar!? Nunca se cansa de machucar os outros, não!? Não me leve a mal, mas você parece estar o tempo inteiro preocupado em qual será a próxima brincadeira que vai me machucar ainda mais!? Não chegou os dias que eu passei no mato sozinha, sem comer!? Na foto que você queimou e que tanto significava para mim! Como se não bastasse, ainda me humilhou na frente de todo o mundo, só porque os meus amigos me ajudaram a mudar de visual! Poxa, me deixa em paz um pouquinho. Eu já entendi que você nunca vai gostar de mim, mas eu não posso mudar isso, pois não!? O Mateus é maravilhoso, você nem tem direito de falar dele assim. Você falando em cuidar de alguém, é estranho! Me desculpe, mas você não sabe cuidar de ninguém, sem ser do seu próprio umbigo e o seu mundinho. Esse mundinho, que tornou tudo à sua volta tão frio e gelado, sem sentimentos de carinho pelos outros. – eu disse séria.



Eu não sabia mais o que dizer para afastá – lo. Quanto mais coisas aconteciam, parecia que mais perto ficávamos, mais juntos. Era estranho demais, o perfume doce dele parecia não sair da minha pele, nem da minha cabeça. Meu deus, eu só posso estar ficando maluca de vez! O que está acontecendo comigo!?



– Letícia, eu sei que você nunca vai me perdoar por essas humilhações e essas brincadeirinhas de mau gosto, mas....eu juro que estou arrependido. Como pode dizer essas coisas!? Eu estou aqui todo preocupado com você, tentando ser simpático, tentando te ajudar e você me diz essas coisas. Eu sei que eu errei, que fiz tudo errado. E como você pode saber o que é carinho, nem tem mais os seus pais vivos!? Você é que não sabe quando estão demonstrando carinho por você! Você é órfã e é você que já não sabe demonstrar carinho pelos outros. Você se fecha no seu mundo, como se só você tivesse direito à dor e a sofrer e a demonstrar carinho pelos outros. Você é arrogante! – ele disse sério e eu me virei de costas.



– Nunca mais, nunca mais se atreva a tocar nesse assunto. – eu disse nervosa com as mãos tremendo.- Saí! Agora! – eu disse, mas ele não se moveu um único centímentro. – Letícia...eu...- ele ia dizer, mas eu o cortei.



– Peço pela última vez, que você saía! - eu disse, mas ele deu alguns passos na minha direção. – Não temos mais nada para conversar!



– Letícia, eu acabei falando demais. Não era nada disso... – ele sussurrou.



– FORA! FORA! Você se comporta se achando um deus-todo-o-poderoso, que diz o que quer, faz o que quer com os outros. Por milagre, acha que tem o direito divino de ser perdoado quando quiser, apesar de machucar os outros de todas as formas possíveis. Me deixa paz! Você não se cansa disso, nunca!? O que eu te fiz para merecer isso!? O que eu fiz!? – eu perguntei quase gritando num tom de voz desesperado. – Nunca mais fale dos meus pais, você não sabe de nada, nada...nada... – até a minha voz começar a desaparecer, com o nó na garganta que se começava a formar.



– Eu não pensei no que estava dizendo, não foi com a intenção de te machucar. – ele disse querendo tocar no meu braço.



– Nunca mais, ouse em me tocar, em me olhar, em falar comigo. Nunca mais! Você perdeu qualquer direito de falar comigo. Eu não quero saber dos seus pedidos de desculpas, que nem são sentidos. Não são pedidos de desculpas verdadeiros. Você acha que basta dizer “ desculpa” , que todos vão te perdoar, chega uma hora que não dá. Para mim, já não tem mais solução. Vive no seu mundo, fica aí entregue ao seu mundo, em que você acha que manda e que os outros devem te obedecer. Eu não vou, nunca! Escuta bem, N – U – N – C - A! Eu cansei de tentar te entender, de ser compreensiva, para depois escutar coisas horríveis como essa! O que você sabe de mim ou dos meus pais!? O que você sabe!? Quem você pensa que é para falar desse jeito e depois tentar se justificar!? – eu disse abrindo a porta do quarto e o olhei nos olhos. – FORA! AGORA! NUNCA MAIS ENTRE AQUI! – eu gritei nervosa e irritada.



– Letícia, eu não queria que isso ficasse ainda pior. Não era essa a minha idéia. – ele disse, mas eu fui o empurrando para fora do quarto aos poucos e fechei a porta, a trancando.



Eu acabei me sentando no chão, com as costas contra a porta. Esse garoto parece ter um coração feito de pedra. Como ele pode ser tão indiferente aos outros, machucar tanto os outros!?



Ele começou a esmurrar a porta com força, pedindo que a abrisse. A única coisa que eu fiz foi fingir que os gritos dele não existiam.



POV Letícia off



POV Tom on



– Cara, o Bill nunca mais aparece. Será que ele esqueceu que vamos ter aquela prova de música!? Eu vou matá – lo! – eu disse irritado.



De repente, escutei o meu celular tocar. Era uma mensagem dele. Quando eu li, nem quis acreditar. A Letícia tinha voltado, ele acabou falando demais e agora parece estar tudo pior do que antes.



– Então, cara!? O que aconteceu!? – perguntou o Ge.



– Ele tá vindo! Teve uma surpresa. – eu disse e o Ge riu.



– Surpresa!? O que foi, alguma gatinha que o vai ajudar a esquecer a dona dos olhos azuis!? – ele perguntou sorrindo.



– Não, a surpresa era mesmo a dona dos olhos azuis. A Letícia! Parece que deu tudo errado! – eu disse e ele ficou sério.



– O que aconteceu!? – ele perguntou.



– Falou demais, acabou falando o que não devia. Discutiram e pelo que eu entendi, foi bem feio. – eu disse.



– Cara, assim vai ser impossível. Ele só sabe afastá – la. – ele disse e eu assenti.



Roupa da Lay: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=42238487



A Lay vinha passando carregada com livros e eu me aproximei dela, deixando o Ge sentado no jardim. Assim que me aproximei, ela chocou comigo e acabou deixando cair os livros no chão. Ela se agaichou furiosa e começou a apanhar os livros. Ela parecia me ignorar e eu peguei na mão dela chamando à sua atenção.



– Garoto, você agora aparece em todo o lugar, credo! Parece assombração! Me deixa apanhar isso e ir embora. – ela disse nervosa.



– Hey, calma! Não precisa me tratar assim, não! Eu ajudo! – eu disse sorrindo.



– Desculpa, tôo nervosa! Vou ter uma prova importante, não queria ter falado desse jeito, não. – ela disse e eu sorri.



– Você está fazendo o quê!? – eu disse curioso, olhando para os livros dela.



– Cinema, eu amo. Mas agora, está me matando. – ela disse sorrindo. – E você!? Pela guitarra, deve ser música, certo!? – ela perguntou enquanto se levantava.



De perto, os olhos dela eram de cor de chocolate derretido, bonitos demais. Os seus olhos castanhos, eram sedutores, muito sensuais.



– Hum...hum...também estou nervoso, também vou ter uma prova e o meu irmão ainda não apareceu por aqui. Ainda, está me estressando mais. Ele tá com a Letícia. – eu disse sem pensar.



Caraca, falei demais.



– Como!? O seu irmão, tá com ela!? Ela já voltou para casa!? Vocês são malucos de deixá – lo lá, sozinho com ela!? Não viram o que aconteceu da última vez, não!? – ela disse irritada.



– O meu irmão não é um monstro, ok. Não precisa ficar assim, não! Você nem o conhece como eu o conheço. – eu disse nervoso.



Eu odiava que ela falasse assim dele, odiava. Ele é o meu irmão.



– Tom, você tá se escutando!? Você também tem culpa em muitas das coisas que fizeram com ela. Não é um monstro, mas pouco falta para parecer um, do jeito como age. – eu não consegui me controlar e acabei acertando um tapa no rosto dela.



Ela não se controlou e acabou puxando as minhas tranças com toda a força que tinha, me fazendo sentir uma dor agoniante.



– Eu não sou boazinha como a Letícia, a próxima vez que você fizer isso, eu juro que arranco o que você tem entre as pernas. – ela disse furiosa, saindo pisando duro.



Eu fiquei olhando ela sair. Nossa, que força que ela tem, as minhas tranças ainda estão doendo. Quem essa garota pensa que é para fazer uma coisa dessas!? O pior é que ela tava certa, eu também tinha a minha dose de culpa, mas parecia ser mais difícil do que eu pensava pedir desculpas e admitir os nossos próprios erros. Mas essa garota parece ter uma personalidade forte, que mexe no meu mundo com uma intensidade tão forte, quase como a de um furação.



POV Tom off

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