terça-feira, 28 de maio de 2013

Strange - Capítulo 12



POV Letícia on



Nós chegamos à república, mas durante todo o caminho eu não conseguia falar nada. Dessa vez eu estava muito magoada até mesmo destruída por dentro. Se eu já estava muito destruída por dentro, agora foi uma humilhação que me deixou sem conseguir ter forças para reagir mais. Eu estava com uma vontade de desaparecer para sempre. Eu estava exausta de ser humilhada o tempo todo.



Mas ao mesmo tempo, eu estava me sentindo culpada por estar sempre preocupando todos com os meus problemas. Eles tinham que seguir com a vida deles e se preocupar com os seus próprios problemas. Eu estava cansada de estar sempre atrapalhando a vida de todos. Nem uma mudança de visual conseguiu mudar o que eu sou, porque eu devo continuar insistindo.



Quando chegamos à república, eu nem tinha coragem para olhar nos olhos do Mateus. Ele merece melhor do que ter que ficar se preocupando comigo o tempo todo.



– Mateus, eu...me perdoa, mas eu preciso ficar sozinha! É só um pouquinho. – eu disse e ele me abraçou tão apertado.



– Não, você não vai ficar sozinha! Você vai fazer alguma besteira se ficar sozinha. Eu não vou deixar, não vou! Eu tou vendo nos seus olhos, no seu jeito de falar comigo. – ele disse me apertando a mão forte.



– Mateus...eu... – eu sussurrei, sem ter forças para ir contra a vontade dele.



– Fecha os olhos, Letícia! – ele disse e eu os fechei.



Eu senti os meus pés sairem do chão e ele me carregar nos seus braços confortáveis.



– Sh, agora dorme um pouco. Eu estou do seu lado, você pode ficar tranquila. Ninguém vai fazer mais nada com você. – ele disse.



Eu me aconcheguei no peito dele. Minutos depois senti as costas afundarem no colchão.



– Não se preocupa com nada. Eu vou estar aqui o tempo todo para cuidar de você. – ele disse.



Senti os seus dedos quentes tirarem as minhas sandálias e ageitarem a minhas pernas na cama. Ele se deitou do meu lado e me abraçou apertado. Depois de alguns minutos naquele silêncio eu acabei pegando no sono.



POV Letícia off



POV Bill on



Ela estava bonita e não havia como negar nisso. A sua pele branquinha e os seus olhinhos azuis brilharam até um pouco, mas assim que eu fiz aquela brincadeira, o azul dos seus olhos perdeu completamente o brilho. Parecia que as nuvens mais cinzentas vieram para apagar o azul dos seus olhos. Como sempre aquele idiota do Mateus se intrometeu entre mim e ela! Eu caminhava em silêncio com o Gustav, o Georg que abraçava a Diana e o Tom. A Diana nem olhava na minha cara, estava furiosa comigo. O Tom abriu a porta e quando eu subi as escadas, eu estava quase chegando no meu quarto, quando eu vi a porta do quarto da Letícia ligeiramente aberta. Eu espreitei e vi o Mateus e ela dormindo enroscados completamente abraçados como um verdadeiro casal de namorados. Ele parecia querer estar com ela o tempo todo. Eu saí e entrei no meu quarto. Eu me joguei na cama e fechei os olhos, eu iria ganhar aquela aposta de qualquer jeito. Mas como vou conquistá – la?



POV Bill off



Horas depois....



POV Letícia on



Eu abri os meus olhos e senti o Mateus me apertar no seu abraço.



– Você não vai a lugar nenhum. – ele disse rindo baixo.



– Mateus, me deixa sair. – eu disse e ele me soltou.



Eu me sentei na cama e passei as mãos no meu rosto.



– O que foi? – ele perguntou se ajoelhando de frente para mim.



– Isso é tão injusto com você. Eu não quero que você se prejudique por minha causa Mateus. Estou impedindo de você ter uma vida normal, tá sempre se preocupando comigo. Eu não quero mais, você já se preocupou tempo demais comigo. Meu deus, nem eu sei como estou deixando você passar por essas coisas. Eu não quero ver você sofrendo. – eu disse séria.



– Letícia! Eu não estou sofrendo, você é que está sofrendo e muito. Meu deus, esse cara é um nojo. – ele disse.



– Não, Mateus. Eu sou a errada aqui. Eu nem deveria estar aqui, estudando aqui. Olha eu não quero mais, eu não quero mais. Não quero! Chega! Chega! Para mim chega! – eu disse e ele me olhou preocupado.



– Letícia, desistir não vai ser a melhor solução. Você não vai fazer nada. – ele disse sério.



– Mateus, não consigo mais superar nada. Eu quero paz! Paz! – eu disse nervosa.



– Calma, Letícia. Calma, minha flor. Eu vou buscar algo para você comer, enquanto você toma um banho para relaxar um pouco, tá bom. – ele disse e eu assenti devagar.



Era a minha chance de acabar com tudo isso de uma vez, eu não estava aguentando mais. Eu estava cansada de escutar aqueles risos, de ser chamada de monstro, de feia, de lixo.



Eu entrei e tranquei a porta do banheiro. Eu procurei numa gaveta um frasquinho que eu tinha de remédio para dormir. Eu estava desesperada demais, eu liguei a água do chuveiro só para fazer barulho. Ivoluntariamente as lágrimas começaram a descer pelo meu rosto. Eu peguei nas duas cartas que eu tinha escrito na noite anterior e posei num pequeno móvel que estava ali. Uma era para o Mateus e outra para a Diana e a Lay. Eram cartas de despedida.



Eu olhei e peguei num copo cheio de água e comecei a engolir o remédio para dormir até não restar mais nada dentro dele. Aos poucos, eu me deixei cair no chão, só pensando que tinha chegado ao fim de tudo. Eu nunca mais ia ser humilhada, iria finalmente ficar em paz.



Aos poucos o remédio começou a fazer efeito e eu deixei o meu corpo amolecer no chão frio do banheiro. O frasco rolou da minha mão batendo em qualquer canto que já não pude enxergar direito. Os meus olhos começaram a ficar pesados e me deixei adormecer. As últimas imagens que passaram na minha mente foram as dos meus amigos.



POV Letícia off



POV Mateus on



Eu fui até à cozinha e encontrei a Diana e o Georg. Eles estavam abraçados cozinhando qualquer coisa.



– Oi! Me desculpem, eu só vinha pegar alguma coisa para animar a Letícia. – eu disse sorrindo envergonhado.



– Oi, Mateus! Fica à vontade cara! Não tem qualquer problema. – ele disse.



– Mateus, aconteceu mais alguma coisa? – a Diana perguntou preocupada.



– Diana, será que é seguro falarmos disso agora? Aqui? – eu perguntei desconfiado.



– Pode falar, o Georg está do nosso lado. – ela disse sorrindo e ele assentiu.



– Cara, eu também não tôo achando isso certo. Isso já passou demais dos limites. Eu nem sei como ela ainda não saiu daqui. – ele disse sincero.



– Tá bom, então. Diana, o que ela me disse lá em cima no quarto, está começando a dar muito medo. De verdade! Eu não sei quanto tempo eu vou conseguir evitar que ela faça uma besteira e das grandes. – eu disse preocupado.



– Como assim, Mateus? O que você está falando? – o Georg perguntou.



– Eu tôo sentindo no jeito dela falar, que isso tá a machucando tanto, que ela já não está conseguindo lidar com isso. Ela me falou em desistir, parece tão cansada de estar aqui. – eu disse sério.



– Desistir? Mateus, ela não pode desistir? O que ela vai fazer se desistir? – a Diana perguntou e o Georg assentiu.



– Eu não sei. Mas vai ser difícil de tirar essa idéia da cabeça dela, ela está muito desesperada. Ela está sofrendo como eu nunca vi antes, ela está triste demais. Desanimada! Acho que essa última humilhação, foi a pior de todas. – eu disse.



– Eu posso falar com o Bill, se vocês quiserem. – o Georg disse sério. – Eu também não quero que ela desista. Ela não merece o que está acontecendo. – o Georg disse.



– Georg, eu acho que não seja isso. Eu acho que algo mais profundo que isso. Algo mais interno, isso está a afetando e muito. Foi a foto da mãe, aqueles dias que ela esteve naquela casa abandonada, foram muitas coisas. Isso vai de um jeito muito mais perigoso do que nós estamos vendo mesmo. A Letícia não gosta de falar do que está sentindo, é tímida, ela sente vergonha. Para ela ter falado isso para o Mateus, é porque isso já está num estado muito mais profundo e grave do que a gente está imaginando. – a Diana disse preocupada. – Eu vou falar com ela. – ela disse séria.



– Diana, ela está no banho. Eu disse para ela ir tomar, para ver se relaxava um pouco. – eu disse.



– Ok, mas eu vou tentar. – ela disse.



POV Mateus off



POV Diana on



Eu bati na porta do quarto, mas ninguém me respondeu. Eu escutei a água do chuveiro ligada e bati na porta. Nada! Nenhuma resposta! Eu voltei a insistir, mas nada de novo. Que estranho!



– Letícia? Letícia? Sou eu, a Diana! Abre, amiga! Eu preciso conversar com você! – eu disse, mas nada.



Só o som da água correndo mais nada. Meu deus, porque ela não abre a porta.



– O que foi, Diana? A Letícia não abre a porta? – o Bill disse sorrindo se apoiando na porta.



– Olha, Bill! Deixa a Letícia em paz, ok! Ela não merece nada disso. Se não quer ajudar, o melhor é você ficar longe dela. Deixa ela em paz, ok. – eu disse nervosa.



Eu tava com um pressentimento muito ruim. Eu estava ficando desesperada para que ela abrisse a porta.



– LETÍCIA? LETÍCIA? ABRE! ABRE! – eu gritei nervosa.



– Você quer ajuda? Eu posso tentar abrir a porta! – ele disse sério, agora ele parecia preocupado de verdade.



– Por favor, abre isso logo. – eu disse passando as mãos no cabelo.



Eu estava sentindo um nó se formar na minha garganta. Ele forçou a porta até conseguir abrir a porta. Eu entrei o empurrando e ele me seguiu. Eu me assustei quando vi a Letícia estendida no chão sem qualquer reação. Eu corri e me agachei perto dela.



– Letícia? – eu a chamei. –Você consegue me escutar? – eu perguntei preocupada.



– Diana! Diana, olha isso! – o Bill disse me passando um frasquinho de remédio para dormir.



Eu coloquei a mão na frente da minha boca. Eu não estava acreditando que aquilo estava mesmo acontecendo.



– CHAMA UMA AMBULÂNCIA, AGORA! - eu gritei nervosa.



Eu tentei sentir o pulso dela e a respiração. Meu deus, ela estava fraca demais. Não tôo acreditando nisso, se ela morrer eu nem quero pensar. Eu senti um frio passar pela minha espinha. O rosto dela tinha marcas dos caminhos das lágrimas, ela estava muito pálida.



– O que está acontecendo? Diana, meu amor!? – era a voz do Georg. – Porque o Bill...- ele parou na frase a meio, enquanto ele, o Mateus, Tom e o Gus entravam no banheiro com as expressões preocupadas. – ele está...ligando... – ele disse sem conseguir terminar a frase quando os seus olhos viram o corpo da Letícia.



– Letícia! Letícia, acorda! O que aconteceu Diana? Porque ela não responde? O que ela tem? Ela não reage! – o Mateus disse se ajoelhando do meu lado completamente agoniado de preocupação.



– Mateus, eu...eu..... – eu disse soluçando.



POV Diana off

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