terça-feira, 23 de abril de 2013

Strange - Capítulo 6



POV Letícia on


Aquilo me deixou surpresa. Como ele poderia estar preocupado comigo!? Não era possível! Eles todos pareciam ter um gosto especial em me humilhar.


– Preocupado!? Isso é um pouco estranho, parece brincadeira até piada. Logo vocês com pena, da nerdzinha, de óculos e sem graça! Ah, Bill! Nossa, essa piada foi ótima. – eu disse séria e puxando o meu braço. - Foi tão boa, que eu até esqueci de rir. – eu disse.


– Claro, que estávamos e não é piada. Tou falando sério. – ele disse.


– Eu confesso que até estou surpresa! Você preocupado de verdade!? Você leva tudo no deboche. Como eu posso acreditar!? – eu disse e ele nem me respondeu. – Vocês estão sempre debochando de tudo, o tempo todo! Especialmente você, que parece ter um gosto mórbido por humilhar e tirar os outros do sério! – eu disse. – Me responde a uma única pergunta! O que eu fiz!? O que eu fiz para você para merecer esse ódio todo!? Você não precisa me olhar, não precisa gostar de mim, eu nunca pedi por isso! Porque faz isso, é só isso que eu quero saber!? – eu disse com medo da resposta.


Ele me olhou surpreso. É, agora até eu me surpreendi. Eu não sabia de onde tinha saído toda aquela coragem, para enfrentar aquilo.


– Eu...eu não levo tudo no deboche. Você não me conhece bem! Só estava preocupado. Você é desse jeito, assim, não sei. Tímida, parece que está sempre pedindo desculpa por existir. Eu e os outros não resistimos em brincar um pouco com você. Além disso, você é muito diferente das outras garotas que anda por aqui na faculdade. Olha para a Diana e para você. São completamente diferentes, o jeito como você se veste, como fala com os outros, como olha para tudo e lida com isso. – ele disse.


– Obrigada por ter respondido à minha pergunta. Era só isso e não precisa mais ficar preocupado, eu estou bem. – eu disse e ele avançou um passo na minha direção.


– Como pode estar bem!? Porque não fala um pouco comigo, era só um pouco. Não precisa ser tão tímida! – ele ficou me olhando.


– Letícia, vamos embora! Esse cara nem merece que você olhe na cara dele. – o Mateus disse impaciente.


– Não, espera Mateus. Eu vou acabar de falar com ele. - eu disse e os dois me olharam. – Mateus, você não precisa esperar. Eu já te atrapalhei demais. – eu disse sorrindo para ele.


– Não tem importância. Eu espero. – ele disse e eu sorri. – Eu só vou sair daqui quando você acabar de falar com ele. – ele disse sorrindo e eu assenti.


Nós nos afastamos um pouco e eu esperei que ele continuasse.


– Obrigada! Eu juro que não era e nunca foi deboche, quando eu disse que estava preocupado. – ele disse. – Me desculpa. Eu queria pedir desculpas pelo que aconteceu.


– Bill, eu não vou falar disso. Me desculpe, mas mesmo que eu quisesse eu não confio em você. Como vou falar de coisas que fazem parte de mim, com uma pessoa que ainda ontem fez algo que me machucou muito!? – eu disse. - Tá desculpado, eu só não consigo confiar. – eu disse e ia me virar.


Ele me parou e me puxou pela mão.


– Porque você nunca fez nada, nada contra nós!? – ele disse confuso.


– Porque...porque eu respeito vocês. Eu vejo vocês como pessoas e não acho que se me vingar isso vá parar. Isso só iria irritar mais vocês e nunca nos vamos entender assim. Eu quero me entender com vocês. Não acho que vocês sejam assim, porque sim. Acho que devem ter uma razão muito forte. – eu disse e ele sorriu. - O que foi!? – eu disse curiosa.


– Você tem um jeito de ver as coisas tão diferente. Nunca conheci ninguém assim. – ele disse.


– BILL! BILL, ANDA ESTAMOS ATRASADOS! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AÍ!? – era o Georg gritando.


– Vai, antes que eles tenham tempo de fazer alguma brincadeira comigo. – eu disse e ele riu.


– Tá bom. Tchau. – ele disse e eu saí em direção ao Mateus.


– Aí, não te entendo, às vezes! Como pode ser tão boazinha!? – o Mateus disse sério, parecia até um pouco chateado.


– Mateus, não fica chateado comigo! Por favor! Eu não quero que fique desse jeito, mas eu acho que brigar com eles não vai dar certo, só vai dar mais força para eles continuarem com isso. Eles também devem ter as suas razões para serem assim. – eu disse e ele riu.


– Com certeza, você é boazinha demais. Se fosse eu, já teria triturado os quatro. – ele disse e nós rimos.


– Nossa, que violento! – eu disse rindo.


POV Letícia on


POV Bill on


Eu me aproximei deles que estavam à minha espera, com umas caras de confusão.


– O que você estava falando com a Letícia!? Como ela ficou depois de ontem!? Ela te disse alguma coisa!? – a Diana perguntou com esperança no olhar.


– Nós conversamos um pouco, mas ela não contou muito. Ela tem um jeito diferente de olhar o mundo, é curioso. – eu disse e a Diana sorriu.


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– Hiiiii, você se interessou pela nerd. Não acredito! Bill, há coisa melhor nessa faculdade. – o meu irmão disse rindo.


O Georg e o Gustav não perderam tempo e começaram a rir também.


– Tom, eu não estou interessado nela. Olha o jeito como ela se arruma, como ela se veste. Você acha que eu ia ficar com uma pessoa assim!? Você me conhece melhor que ninguém! – eu disse irritado.


Assim que chegamos à faculdade, nos separamos para que cada um fosse para as suas aulas. Finalmente estava sozinho, com os meus pensamentos. Ela parecia simpática e tinha um toque tão especial no jeito como falou comigo. Era compreensiva, até chegava a ser um pouco carinhosa no meio de toda aquela timidez e ingenuidade. Era isso! Ela tinha uma ingenuidade que muitas garotas já não têm, dá vontade de proteger. O jeito calmo e doce como ela fala, chega a ser tão delicada. Ela parecia querer chegar na alma das pessoas, compreender e tentar entende – las. Mas de repente, alguém interrompeu os meus pensamentos.


– Senhor Kaulitz, posso saber para quem o senhor está sorrindo!? – o professor me chamou a atenção, me fazendo acordar assustado e sair do meu transe.


POV Bill off


POV Letícia on


O Mateus, começou a me mostrar parte da faculdade e depois me guiou até à sala de aula. Que sorte, que vamos estar juntos nessa primeira aula!


Nós fomos para as aulas, tava tudo maravilhoso, até eu perceber que o Mateus estava de boca aberta e quase dormitando em cima da mesa. Meu deus, ele não pode dormir aqui!


– Mateus, acorda. Não dorme, isso é super legal. – eu disse animada o chacoalhando de leve.


– Legal!? Cálculo!? – ele disse. – Acho que só você está gostando. Alias ninguém está entendendo nada, olha para a cara de todo o mundo. – ele disse ensonado. – Lezinha, eu tou morrendo de sono. Eu nem consigo ficar com os olhos abertos nessa aula, é impossível. – ele disse.


– Ah, poxa. Pensei que você gostasse!? – eu disse desanimada.


– Eu gosto, mas esse cara, ele é muito chato. – ele disse e o professor bateu no ombro dele nos assustando aos dois.


– Mateus, o que você disse!? Se importaria de resolver a segunda parte do problema!? – o professor disse sério e com uma cara nada boa.


– Ele não disse nada, professor. – eu disse baixo.


– Eu!? Mas professor, nós ainda nem demos essa matéria. Como quer que eu resolva isso!? – ele disse aflito.


Meu deus! E agora!?


– É, eu sei, eu ia explicar. Mas já que o senhor sabe tudo, pode ir resolver. – ele disse e todos não paravam de rir.


– Eu posso tentar!? – eu perguntei com medo.


– A senhorita, sabe resolver!? – o professor perguntou surpreso me olhando.


– Eu acho que sim. – eu disse e a sala ficou silenciosa.




– Muito bem, tente salvar a nota do seu amigo, já que ele não consegue fazer isso por ele mesmo. – o professor disse e eu fui descendo pelas escadas da sala.


A sala estava cheia de gente, meu deus. Todos me olhando, esperando que eu resolve – se. Eu senti as minhas mãos suarem, o meu corpo inteiro suando de tanto nervosismo.


Eu olhei para o problema e comecei a resolver, parecia que eu ficava em outro mundo, eu não escutava nada, nem ninguém. Era como se eu ficasse em transe apenas pensando em como resolver. O cérebro trabalhava a toda a velocidade, com o raciocínio acelerado, as minhas mãos pareciam que não conseguiam acompanhar a velocidade do meu pensamento, como ia resolvendo. Assim que eu parei de escrever, parecia que ninguém se movia ou dizia nada. O que foi que eu fiz!? Alguma coisa errada!? Eu me virei e verifiquei o que estava escrito, mas parecia tudo bem.


– Onde você aprendeu a fazer isso!? – o professor perguntou surpreso, ele não parava de me olhar com uma cara assustada.


Meu deus, foi tão horrível assim o que eu escrevi!?


– Está errado!? É por isso!? – eu perguntei baixinho.


– Não, claro que não, querida. Está certíssimo, alias em tantos anos que eu dei aulas, eu nunca vi ninguém resolver isso tão rápido, ainda mais uma aluna que acabou de chegar. – ele disse surpreso. - Parabéns! Está certo e com um raciocínio muito inteligente. – o professor disse. – Pode sentar. – ele disse e fui para o meu lugar.


– Ok, você é um gênio e vai me dar aulas particulares. – o Mateus disse de boca aberta e com os olhos arregalados. – Caraca, com certeza você deve ter inteligência acima da média. – ele disse me olhando assustado. – Como você resolveu aquilo!? – ele perguntou.


– Não, claro que não, Mateus. Eu sou normal! Igual a você, a todo o mundo. – eu disse envergonhada e sentindo as minhas bochechas começarem a ficar vermelhas. – Eu só gosto disso. – eu disse e ele sorriu.


A aula estava terminando até que o Mateus acariciou a minha mão, me chamando a atenção.


– Vem almoçar comigo, por favor!? – ele perguntou.


– Eu tava pensando almoçar em casa. Mateus, você sabe se estão precisando de alguém para trabalhar num café ou assim!? – eu perguntei envergonhada.


– Eu te ajudo com isso e você vem almoçar comigo. – ele disse e eu assenti.


– Tá bom, seu teimoso. Eu vou. – eu disse.


Nós saímos e entramos na cantina da faculdade, a Diana e os outros estavam sentados em uma mesa, eles riam animados. Aquilo me fez sorrir, eles pareciam felizes! O Bill me olhou e sorriu de canto para mim e eu retribui. Aquilo foi estranho!


O Mateus me puxou e começamos a escolher a coisas para o almoço, ele falava animado e me explicava como era tudo por ali. Ele ria e me fazia rir e muito. Nós fomos nos sentar numa mesa mais ao fundo e ele riu.


– O que foi!? – eu perguntei.


– O Bill não pára de te olhar. – ele disse rindo.


– Mateus! Claro que não! – eu disse e ele se aproximou de mim e segurou uma mexa do meu cabelo.


POV Letícia off

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