domingo, 14 de abril de 2013
Strange - Capítulo 4
POV Letícia on
Eu tentei me equilibrar nas minhas pernas, mas eu não conseguia. Eu não comia, não bebia água à mais de 3 dias. Eu estava cansada, com os tornozelos doendo, cada passo era como se o meu corpo pesasse toneladas. Eu fui caminhando lentamente e me apoiando nas árvores que tinham pelo caminho. Eu estava com muitas dores, eu mal conseguia caminhar. Sem permissão, as lágrimas saiam pelos meus olhos e molhavam o meu rosto. O que fiz, para merecer isso!? O que eu fiz!?
– Garota, você está bem!? – eu até estremeci quando ouvi aquela voz.
Eu estava morrendo de medo, que fosse mais alguém com alguma idéia maluca, os meus joelhos estremeceram e eu acabei caindo no chão. Eu baixei a cabeça e fechei os olhos morrendo de medo do que iria acontecer.
– Calma, eu não vou te fazer mal! Eu só quero te ajudar. – era a voz de um garoto. – Meu deus, como você está machucada! Calma, não precisa ter medo de mim. Você está tremendo, tadinha! – ele disse.
Ele se aproximou de mim, quando eu levantei a cabeça eu pude ver como ele era alto com os cabelos negros ligeiramente ondulados e com os olhos verdes.
– Você deve estar assustada. Eu vou te ajudar, pode confiar. Como você fez isso!? – ele me perguntou enquanto analisava os cortes dos meus pulsos e depois olhou chocado para os meus braços todos cortados e as minhas roupas também todas cortadas. Veste o meu casaco, você deve estar desconfortável com essa roupa. – ele disse cobrindo os meus ombros com o seu casaco.
– Obrigada, eu só estou um pouco cansada. – eu sussurrei, me encolhendo dentro do casaco dele envergonhada.
– Por favor, você me a-a-ajuda a chegar na república. Eu não s-sei como voltar. – eu disse com a voz por um fio.
– Claro que ajudo! – ele disse e me pegou no colo.
– Obrigada. – eu disse fechando um pouco os olhos.
– Pode ficar tranquila, eu te levo. – ele disse e eu me aconcheguei nos seus braços quentes e macios.
– Eu sou o Mateus! – ele disse baixinho.
– Letícia! – eu sussurrei.
Ele me carregou até à república e quando abriu a porta, ele me levou para dentro. Todos pareciam ter congelado e ficavam nos olhando sérios.
– Meu deus! Letícia! – era uma garota que chamava o meu nome. Como ela me conhece!? – Desculpa, você ainda não me conhece, eu sou a Diana. – ela disse.
Eu sorri de leve, mas até isso estava doendo.
– Você sabe onde é o quarto dela!? – o Mateus perguntou.
– Sei, sim. Anda, vem comigo! – ela disse.
– Nossa, que sorte! Arranjou alguém para te trazer! Cara, não sei como você toca nessa coisa! – o Bill disse gargalhando.
– Olha, cara eu já conheço como vocês tratam das garotas nessa república! Isso é caso de polícia! Sequestro, maus tratos! Eu sou testemunha, olha o estado como ela está. – ele disse.
– Mateus, não faz nada. – eu sussurrei para ele. – Eles vão começar a tornar a sua vida num inferno, eu não quero. – eu disse sussurrando.
– É sério!? Você não viu nada, não pode provar nada. – o Tom disse rindo e bebendo um gole da sua cerveja.
– Será que eu não sei de nada mesmo!? Porque não acreditariam em mim!? Ela é a vítima, o corpo dela do jeito como está é impossível não acreditarem no que aconteceu. – ele disse me aconchegando mais nos seus braços.
– Por favor, Mateus. Eu não quero você se meta nisso por mim, por favor. – eu sussurrei.
– Agora, eu vou cuidar de você. – ele disse e subiu comigo no colo.
Ele me pousou na minha cama, com muita delicadeza.
– Eu vou cuidar dela, eu tou fazendo faculdade de Medicina. Pode deixar! – a Diana disse.
– Ok! Letícia, vê se melhora rápido, para eu te mostrar tudo por aqui, ok! – ele disse sorrindo e tocando no meu rosto de leve. – Você vai ter que me dizer o que aconteceu para você ficar assim nesse estado! O que eles fizeram, eu quero saber. – ele disse e beijou a minha testa.
– Ok, obrigada Mateus. Você foi muito gentil, muito obrigada. – eu sussurrei e ele sorriu.
Ele saiu e a Diana ficou comigo. Será que ela estava fingindo e iria fazer o mesmo que eles me fizeram!? Ela era alta, magra, parecia uma modelo, a pele branquinha, olhos castanhos e cabelos castanhos bem longos.
– Calma, eu juro que não vou fazer nada, só cuidar dos seus machucados. – ela disse sorrindo. - Eu vou buscar só as minhas coisas para fazer os curativos. – ela disse.
Eu fechei um pouco os olhos e tentei respirar fundo. Eu estava cansada.
– Garota, abre os olhos! – o Bill disse me chacoalhando e me fazendo sentir dores insuportáveis. Eu engoli os gemidos de dor e as lágrimas e abri os olhos assustada. O que eles queriam dessa vez. Não chega!?
– Quem é ele!? O que ele veio fazer aqui!? Como ele te encontrou!? Se ele fizer algo, garota você vai se arrepender ainda mais de ter vindo para cá! – ele disse irritado.
– Deixa ele em paz, ele só me ajudou. Me deixa sozinha, por favor! Me deixa! – eu disse.
– Bill, o que você está fazendo com ela!? Deixem ela em paz! Vocês não acham que já foram longe demais, olha bem para esses machucados!!! Isso é muito sério! Vocês poderiam ser acusados de sequestro, se ela quisesse! Deixaram – na 3 dias no mato, sem comida, água, ao frio e sozinha. O Mateus tá certo, isso é caso de polícia! Saí! Fora! – ela disse o empurrando para fora do quarto.
Assim que ela fechou a porta, eu comecei a chorar, eu não conseguia nem respirar. Eu estava em pânico e tremendo sem parar. Eu tinha vontade voltar para casa, eu queria o meu vazio de novo. Eu sentia falta dos braços da minha mãe, do carinho dela, eu não podia contar nada para ninguém. Eu estava começando a ficar com muitas dificuldades para respirar.
– Você é asmática!? – ela me perguntou e eu assenti.
– Onde está o seu remédio, Letícia!? – ela perguntou e eu apontei para o meu armário.
Ela rapidamente me entregou o remédio e o colocou na minha boca, me obrigando a deitar e a respirar fundo. Só a minha mãe fazia aquilo por mim, algumas lágrimas solitárias começaram a descer pelo meu rosto.
– Pronto, passou, passou! Desculpa, querida, eles são uns idiotas. Você precisa descansar, comer e se hidratar. Primeiro, eu vou cuidar dos seus machucados. – ela disse e eu assenti.
– Obrigada, Diana. Obrigada, mesmo! – eu disse e ela sorriu.
– Eu estou do seu lado. Se o Georg fizer algo de novo, você me conta! – ela disse séria. – Mas por favor não chora, não chora! – ela disse. – Me conta então, algumas coisas sobre você e eu conto sobre mim. Para nos conhecermos melhor! – ela disse enquanto começava a limpar os meus machucados.
– Eu não sei o que contar. Eu não tenho nenhuma história especial. – eu disse.
– Ah, tem que ter. Você veio sozinha para aqui! Normalmente, as garotas vem sempre com os pais, mais as mães para ajudar a arrumar as coisas nos quartos. – ela disse e as lágrimas começaram a sair sem eu perceber.
– Calma! Desculpa, eu disse alguma coisa!? –ela disse confusa e eu neguei.
– Me conta, o que foi que eu disse para eu te deixar assim!? – ela disse preocupada.
– Eu já não tenho mãe. – eu disse baixo. – Sinto saudades, só isso. Muitas! É que eu só tinha ela e ela a mim. E agora não sobrou nada! Nada! – eu disse.
– Desculpa, sinto muito. Eu não sabia! – ela disse me abraçando de leve.
– Eu a perdi à 3 meses, no dia do meu aniversário de 18 anos. – eu disse e ela me olhou preocupada.
– Sinto muito mesmo, Letícia. Você ainda deve estar muito mal com isso! – ela disse.
– Desculpa, por tudo o que aqueles idiotas estão fazendo com você. Você deve estar precisando de alguém para te apoiar, te ajudar. Ainda agora chegou a um sítio estranho. Mas pode contar comigo! Sempre! – ela disse.
– Obrigada! – eu disse baixando a cabeça.
Ela limpou todos os meus machucados e depois me ajudou a trocar de roupa, a ficar mais confortável.
– Você só trouxe essas roupas!? – ela disse estanhando.
Eu não tinha muita coisa.
– Essas são as minhas roupas. – eu disse.
– Eu posso te ajudar com isso. – ela disse sorrindo.
– Diana, eu não quero nada. Só quero esquecer um pouco que existo. – eu disse.
Ela abriu a minha cama e me ajudou a deitar.
POV Letícia off
POV Bill on
Como assim!? Ela já não tem mãe, nem pai! Pelo que eu pude escutar ela perdeu a mãe há muito pouco tempo. Ela estava muito machucada quando chegou aqui em casa, o rosto mais magro, os olhos fundos inundados de olheiras, aqueles cortes nos braços, as roupas todas rasgadas. Aquele cara, achando que pode mandar alguma coisa! O jeito que ele olhou para ela, não gostei. Parecia que queria algo com ela!
– Então escutou algo de interessante!? - o Tom perguntou assim que cheguei na sala.
– Ela não tem família. Perdeu a mãe faz muito pouco tempo. Tom, eu acho melhor deixar essa garota em paz. Cara, ela tá sofrendo com a morte da mãe. – eu disse.
– Ah tadinha, tou morrendo de pena! – ele disse debochado.
– Tom, ela ainda está de luto, deixa isso. A gente pode brincar, sem usar isso. – eu disse.
– Não, eu tenho uma idéia e você vai me ajudar. – ele disse rindo.
POV Bill off
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Gostaram!? Deixem os vossos comentários que eu vou adorar ler cada um. Bjs