sexta-feira, 12 de abril de 2013
Capítulo 2 - Strange
Pov Letícia on
Eu estava fechando a minha casa que agora deixaria de ser minha. Aquela casa tinha tantas memórias minhas, da minha mãe. O meu pai já tinha morrido quando 2 meses antes de eu ter nascido, eu só o conhecia pela única foto que eu tinha dele junto com a minha mãe. A minha mãe, morreu no dia do meu aniversário, me deixou com 18 anos acabados de completar. Foi o pior dia da minha vida, eu ainda estava em processo de luto por ela, ainda me custava acreditar que iria ter que cuidar de mim e estava completamente sozinha. Aquela doença terminal, havia sido implacável com a minha mãe, aos poucos foi a destruindo e a levando de mim, o dinheiro não era muito, ou melhor quase nenhum para continuar com os tratamentos, até que vi a minha mãe suplicando para terminar com aquilo, que os tratamentos só a faziam sofrer ainda mais, que as dores estavam na matando em vida. Eu e a minha mãe lutamos com todas as novas forças contra essa maldita doença. Mas quando eu cheguei a casa, com a boa notícia que tinha entrado para a faculdade de administração, eu vi a minha mãe já sem vida estendida no chão da sala. Foi uma dor insuportável para mim, eu não tinha mais ninguém, mais ninguém na minha vida.
Eu limpei as lágrimas ao me lembrar daquele dia e fechei a porta. Fechei e deixei todas as minhas lembranças naquela que um dia foi uma casa feliz, mas que agora era um lugar cheio de tristeza.
Agora, eu esperava que o início desta nova fase fosse mais feliz, do que os meses anteriores. Eu suspirei e peguei nas minhas coisas indo em direção ao ônibus e entrando. A viagem demorou várias horas, quando eu finalmente pude me levantar, eu senti o meu coração bater bem forte, eu estava ansiosa, eu só sabia que ia para uma república, ela era mista, eram 4 garotos e 1 garota, mas era a única que tinha lugar para mim.
Eu caminhei pelas ruas da cidade, parecia ser simpática para viver. Eu procurei, até que achei a casa, eu ia abrir a porta, já que na faculdade me deram uma cópia da chave.
Eu entrei, mas eu me atrapalhei, o chão parecia estranho, estava todo molhado e meloso, eu acabei caindo e perdendo os meus óculos. Cara, eu não vejo nada, sem eles!
- Nossa, você deve ser a nerdizinha. Nem andar você sabe! – um garoto disse rindo, mas eu não conseguia ve – lo direito, só conseguia ver como ele era alto.
- Por favor, me dá os meus óculos!? – eu disse calma.
- Essa coisa feia!? Garota, que usa uns óculos desses!? Fazer o que, nerd desse jeito! – ele disse gargalhando. – Nossa, você é feia, hein! – ele disse. – Esse cabelo, parece com a da vassoura daqui de casa! Você tem certeza, que você vem para uma faculdade ou para o zoológico, com esse aspecto!? – ele perguntou gargalhando.
Ele parecia ter um gosto mórbido por me humilhar, ainda agora me conheceu, já está me humilhando. Ele jogou os meus óculos no chão e eu os peguei , por sorte não tinham quebrado. O chão estava todo cheio de mel, eu estava toda pegajosa, as minhas roupas todas manchadas, os meus joelhos doendo.
- Opa, a festa de boas vindas começou e ninguém me disse nada!? – um garoto de cabelos lisos perguntou, ao garoto alto de maquiagem.
- Começou, você devia ter visto como ela caiu no chão, foi hilário. – ele disse rindo sem parar. – Parece uma aberração, com essas roupas e esses óculos. O cabelo então, coisa mais feia. Essa não dura nem um dia aqui. – ele disse sorrindo cínico.
- Porque não!? – eu perguntei. – Você nem me conhece. – eu disse, eles estavam me dando medo.
- Nossa, olha só a nerdezinha me desafiando! Corajosa, para quem tá morrendo de medo. Georg, vamos fazer as honras da casa!? – ele disse com um sorriso diabólico. Aquilo estava começando a me assustar de verdade, me deixando apavorada, sem saber como reagir. O de cabelos lisos, me pegou no colo rapidamente e começou a me carregar.
- ONDE VOCÊ VAI ME LEVAR!? ME SOLTA! ME SOLTA! – eu tava ficando com muito medo.
- PODE DEIXAR! – ele disse e me jogou na piscina, sem pensar duas vezes, com óculos e de roupa.
Eu senti o meu corpo, bater com força dentro da água. Mas se eles pensavam que assim poderiam me ver desistir do meu sonho de me formar, nunca! Era a única coisa que eu tinha, era única coisa que me tinha restado, era única coisa que ainda merecia a minha dedicação. Eu não disisteria da única coisa que eu tinha, o meu sonho, isso nunca. Eu nadei até à ponta da piscina e saí. Eu não estava furiosa, nem irritada, eu não conseguia ficar assim desde a morte da minha mãe, parecia que eu deixara de sentir raiva, a raiva que eu senti quando ela me deixou, não era nem comparável ao que eles estavam fazendo agora. Eu sabia que isso não iria parar por aqui, os sorrisos deles maliciosos, a expressão fria como que me olhavam, era de arrepiar. O meu inferno particular iria continuar, mas dessa vez, seria diferente, seria mil vezes pior.
POV Letícia off
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