POV
Regina on
Eles
saíram do quarto e eu fiquei quieta nos primeiros dois minutos, seguidamente
subiu novamente uma raiva por mim, uma revolta, eu não queria ser mais
diferente do que era, já me bastava ser adotada e ainda tinha que ter esta
coisa! Uma raiva louca me invadiu e me fez quebrar tudo o que estava no quarto,
gritar, chorar até não aguentar mais. O meu peito doía, eu não queria mais ser
diferente, que merda! Eu lutei tanto para ter normalidade, para não ser
excluída, e agora esta coisa no meu corpo, ainda por cima até ao final da minha
vida, fiquei encolhida no canto do quarto, enquanto as lágrimas já começavam a parar.
A porta voltou a abrir e eram eles novamente, estavam surpresos
com aquilo que encontraram, e foram se aproximando de mim.
Eles se sentaram do meu lado, me abraçando com cuidado. Eu não os parei, eu precisa daquilo! Apesar de eles me terem escondido as coisas, eu amava muito eles.
Eles se sentaram do meu lado, me abraçando com cuidado. Eu não os parei, eu precisa daquilo! Apesar de eles me terem escondido as coisas, eu amava muito eles.
– Está tudo bem? Está mais calma? Nós estamos aqui, do seu lado!
– Disse o Bill baixinho.
– Obrigada, mas não quero que tenham pena de mim! Eu odeio pena,
odeio! – Disse encostado os joelhos contra o peito.
– Não, não! Você vai superar isto e vai se habituar! Como tudo,
você vai superar. – Disse Tom.
Que rapidamente percebeu que tinha dito algo errado, pois eu o olhei
com um olhar cortante. Como ele pode dizer isso? Como alguém se pode habituar a
se furar todos os dias?
– Me habituar!? Você acha
mesmo isso? Acha que me vou habituar com isso, a parecer uma drogada, toda
furada, outra vez me sentindo como uma deslocada. Com uma merda, que nunca vai
passar, está colada comigo para o resto da minha vida! Nunca me vou habituar,
nunca! Assim como nunca me vou habituar a ter sido adoptada, como sempre
largada como um lixo, que os outros usam e deitam fora. Que ódio, que raiva! Só me atura porque foi obrigado a isso, sempre a segunda opção. –
Disse com raiva.
– Eu não quis dizer isso! – Disse ele rápido.
– Pois, mas pensou! Me deixem sozinha! – Disse me virando de costas para ele. Eu não queria escutar mais nada, ver mais ninguém, eu queria pensar sozinha! Como sempre, eu tenho que me acalmar e sair das coisas
mais complicadas que me acontecem sempre sozinha! Eu tenho que superar sozinha,
me virar sozinha! Só tenho que respirar fundo, pensar e vou achar uma solução!
Isto não pode ser assim! Sem cura, para sempre! Mas porque!?
– Não, você vai me escutar! Eu não quis dizer aquilo! Você está dizendo
isso, porque tem medo, do que vem por aí! – Disse ele.
– Não tenho medo! Tou cansada disto, cansada! Cansada de tentar
não ser sufocada! – Disse - lhe.
– Estamos com você, mana! Não fica mal, não fica assim! Nós te
amamos, não te aguentamos por obrigação! Nós te amamos muito, não nos trata
assim! Por favor, isso nos machuca! Nos machuca de mais te ver sofrer desse
jeito! – ele me disse.
– Eu vou chamar alguém, você está demasiado nervosa. – Disse
Bill.
De repente entram dois enfermeiros dentro do quarto com uma
seringa, que olhavam surpresos para o quarto todo destruído, eu tentei correr
para não permitir que me drogassem.
– Mas como querem que não vos trate desse jeito!? Vocês querem
me drogar! Me deixem em paz! – eu gritei enquanto corria.
Mas o Bill me segurou pelos braços com força e com a ajuda do
Tom conseguiram me imobilizar enquanto os enfermeiros se aproximaram.
– Me soltem! Eu odeio vocês! Eu odeio! Eu nunca vos vou perdoar
por isso! – eu disse enquanto me debatia com os dois.
Eu gritava e me debatia, eu não queria aquilo, até que senti
algo me picando o braço, e um liquido entrar no braço. Depois de uns 5 minutos,
comecei a sentir o corpo estranho. As mãos que tentavam lutar contra os meus
irmãos já nem tinham força, os enfermeiros se afastaram e saíram a pedido
deles, que agora eles cuidariam de mim.
– Eu…hum…odeio…- disse enquanto eles me seguravam.
Estava ficando cansada e com sono, nem conseguia colocar as
palavras em ordem para fazer frases coerentes. Eu não queria ter falado aquelas
coisas a eles, mas eles me enganaram e eu não suportava isso, eu não lidava
nada bem com isso!
– Nos perdoa, mas é para o seu bem! Nós nunca iriamos te machucar!
– disse Bill que passava a mão no meu rosto.
Eu estava grogue, com os olhos vazios, sem expressão, que se
começaram a fechar e as pernas perderam força, e senti uns braços em minha
volta.
POV Regina off
POV Georg on
Eu entrei no quarto, queria vê – la, falar com ela, mas
encontrei o Bill e o Tom a segurando. Os olhos dela estavam tão vazios, sem
vida, ela estava tão apática, e depois adormeceu nos braços deles. A cabeça
dela se encostou no ombro do Bill, e ele passou um dos braços pela cintura
dela, e a outra mão nos cabelos dela
– Nos perdoa, meu bem! Eu sei que foi tudo da boca para fora! Eu
sei que você tem medo de se machucar! Tem de deixar de estar sempre se
protegendo de todo o mundo! Pára de tentar ser indestrutível o tempo todo! –
ele disse no ouvido dela.
– O que aconteceu? – eu perguntei um pouco tenso.
Depois olhei melhor o quarto e ele estava todo destruído, ela
devia ter ficado bem nervosa com as notícias. Isso me deixava mal, bem mal, eu
não queria ver ela sofrendo. Eu conseguia sentir o sofrimento dela! Eu queria
tanto saber porque ela sempre se defendia de todo o mundo, era como se ela se
estivesse sentindo a ser atacada o tempo todo!
– Ela ficou descontrolada, com as notícias. Tivemos que pedir
que dessem um calmante nela! Nos ajuda a arrumar as coisas dela e a coloca – la
na cama? O médico disse que ela poderia fazer o resto da recuperação em casa! –
disse o Bill que me encarou.
– Ajudo sim! – eu sorri ao perceber que ela ia voltar para casa.
– Ela ficou com uma raiva da gente! Eu nunca a vi tão revoltada
com a gente! Me deu medo! – disse Tom.
Eu ajudei o Bill a segurar ela, e a peguei no colo. Ela se
aconchegou nos meus braços como se pedi – se segurança, aquilo fez o meu
coração aquecer. Depois a coloquei na cama com cuidado.
Depois de arrumarmos tudo eles me pediram para eu sair só um
pouco para eles colocarem alguma roupa nela. Eu me retirei do quarto, um pouco
mais tranquilo.
POV Georg off
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